Vale que Dança reúne formação, ancestralidade e performances na abertura da 10ª edição

Programação no Vale do Capão reúne artistas e pesquisadores em atividades que articulam dança, ancestralidade, cultura popular e memória

A 10ª edição do Vale que Dança – X Festival de Danças Afro-brasileiras e Contemporâneas do Vale do Capão começou nesta quinta-feira (10), no Vale do Capão, em Palmeiras, na Chapada Diamantina. O primeiro dia de programação reuniu atividades formativas e performances, colocando em diálogo dança, ancestralidade, cultura popular, memória e diferentes formas de expressão do corpo.

Nildinha Fonsêca conduz formação sobre dança, cultura popular e ancestralidade

A programação formativa começou com a presença de Nildinha Fonsêca, mulher negra, mãe, candomblecista, pesquisadora das danças de matriz africana e das manifestações culturais brasileiras. Professora, coreógrafa, dançarina/intérprete, diretora de movimento e produtora independente, Nildinha compartilhou conhecimentos construídos ao longo de uma trajetória dedicada à dança afro-brasileira e à valorização da cultura popular.

Nildinha foi diretora do Centro de Formação em Artes e da Escola de Dança da FUNCEB, coordenadora e professora do Projeto Balé Júnior do Balé Folclórico da Bahia e dançarina/solista da Fundação Balé Folclórico da Bahia. Atualmente, também atua como diretora, coreógrafa e produtora do Grupo de Manifestações Folclóricas Bahia Axé.

No Vale que Dança, sua formação criou um espaço de troca e aprendizado a partir das relações entre dança, cultura popular e ancestralidade, reconhecendo no corpo um lugar de memória e transmissão de saberes.

Tati Campêlo propõe vivência sobre corpo e ancestralidade

A programação também contou com a oficina “Dança Afro-Brasileira – Corpo e Ancestralidade”, conduzida por Tati Campêlo, bailarina, coreógrafa, professora, pesquisadora e diretora da Campêlo Cia de Dança.

A atividade proporcionou uma vivência prática pelas danças afro-brasileiras, compreendendo o corpo como território de memória, ancestralidade, identidade, resistência e expressão.

À frente de sua pesquisa, Tati criou o Método Campêlo, que articula técnica, corporeidade, ancestralidade e experiências vivenciadas. Durante a oficina, os participantes experimentaram movimentos e ampliaram a percepção sobre o próprio corpo, compreendendo a dança também como prática de conhecimento e valorização da cultura negra.

Performances marcam abertura oficial do festival

À noite, a abertura oficial da 10ª edição foi marcada por performances que reuniram diferentes corpos, histórias, ancestralidades e formas de expressão por meio da dança.

O encontro entre tradição e contemporaneidade esteve presente nas apresentações, que trouxeram para a cena o corpo como território de memória, identidade, resistência e criação.

A noite também marcou a celebração dos dez anos do Vale que Dança, festival que vem contribuindo para o fortalecimento das danças afro-brasileiras e contemporâneas na Chapada Diamantina.

Dez anos de dança, memória e reexistência

Com o tema “Dança–Corpo–Memória: Ancestralidade que educa, cuida e reexiste”, o festival segue até domingo (13), com programação gratuita no Vale do Capão.

A agenda reúne oficinas, mesas de debate, apresentações e outros encontros que têm a dança como ponto de partida para discutir ancestralidade, memória, território, educação, cultura e as diferentes formas de existência e expressão do corpo.